Tema: Discurso, Ancestralidade e Dispositivo Colonial: Por uma pedagogia da esperança nas águas
É com imenso orgulho e senso de missão histórica que a Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio da ação articulada entre o PPGL (Programa de Pós-Graduação em Letras), o PPGEDUC (Programa de Pós-Graduação em Educação e Cultura) e o PPGEL (Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos) do Campus Cametá/UFPA, convida a comunidade acadêmica nacional e internacional para o VII COLÓQUIO INTERNACIONAL MEDIAÇÕES E DISCURSO NA AMAZÔNIA (DCIMA).
Entre os dias 17 e 20 de agosto de 2026, o colóquio aporta pela primeira vez nas margens históricas do Rio Tocantins, no Campus Universitário de Cametá (UFPA). O encontro é guiado pela temática central:
A relevância do tema
Para a professora Ivânia Neves (PPGL-Belém), coordenadora geral do evento “A relevância deste tema reside na necessidade urgente de redefinir as narrativas que cercam a Amazônia, deslocando-a de um objeto de exploração para um sujeito de saber.” Ao confrontar a Ancestralidade com o Dispositivo Colonial, o evento não apenas identifica as estruturas de poder que ainda tentam silenciar a região, mas valida os conhecimentos milenares como ferramentas de resistência e inovação. Esse embate é essencial para desconstruir os discursos eurocêntricos que, historicamente, reduziram a floresta e seus povos a meras fontes de matéria-prima, ignorando suas complexidades.
A adoção de uma Pedagogia da Esperança, fundamentada no pensamento de Paulo Freire, atua como o motor de transformação do colóquio. Mais do que um exercício de denúncia contra as opressões vigentes, essa perspectiva busca o “anúncio” de alternativas concretas. Quantas experiências emancipatórias vivemos entre as águas da Amazônia? Trata-se de uma educação que não se limita a descrever o mundo, mas que se propõe a reinventá-lo, incentivando novas formas de existir e educar que respeitem as singularidades culturais e ambientais do território amazônico.
Agenda 2030: Sustentabilidade, Decolonialidade e Direitos na Amazônia
O VII Colóquio Internacional Mediações e Discurso na Amazônia (VII DCIMA) reafirma o seu compromisso científico, político e pedagógico com a transformação social, a preservação ambiental e a valorização dos territórios tradicionais. Embasado no tema "O dispositivo colonial e a ancestralidade: por uma pedagogia da esperança nas águas", o evento articula suas ações e debates aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, bem como aos ODS ampliados e propostos no contexto brasileiro para responder às urgências históricas da Amazônia.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável Globais (ONU)
ODS 4 – Educação de Qualidade: O colóquio promove a formação continuada de educadores da Educação Básica e a integração com programas de pós-graduação (PPGL, PPGEL e PPGEDUC), fortalecendo um ensino inclusivo, público e decolonial voltado para as realidades camponesas, ribeirinhas e urbanas.
ODS 5 – Igualdade de Gênero: Promoção de espaços de debate e minicursos focados na garantia de direitos, no combate às violências e na visibilidade das memórias e protagonismos das mulheres indígenas, quilombolas e ribeirinhas.
ODS 10 – Redução das Desigualdades: Fortalecimento da interiorização da pós-graduação e do ensino superior no Campus Universitário do Tocantins/Cametá (UFPA), enfrentando as assimetrias históricas da produção científica e descentralizando o conhecimento.
🇧🇷 ODS Nacionais e Ampliados (Compromisso com o Brasil e a Amazônia)
ODS 17 – Parcerias e Meios de Implementação
Construção de uma rede sólida de cooperação científica interinstitucional e internacional, conectando a Universidade Federal do Pará (UFPA) a universidades parceiras (UFMA, UNICENTRO, UNMSM/Peru e Universidade de Jena/Alemanha), além de articular a academia com redes públicas de ensino e movimentos sociais.
ODS 18 – Igualdade Racial
Proposto no Brasil para colocar o combate ao racismo no centro do desenvolvimento, o ODS 18 orienta o evento no combate ao epistemicídio. O VII DCIMA promove o letramento étnico-racial, a valorização das línguas originárias (como a Língua Tembé-Tenetehara) e a afirmação das sabedorias negras e indígenas como ciência e filosofia.
ODS 19 – Arte, Cultura, Comunicação e Patrimônio
Reconhecimento da Cultura, Arte e Ancestralidade como pilar indispensável para o desenvolvimento sustentável, manifestado no lançamento de obras literárias, documentários, jogos educativos e na valorização das narrativas orais e tradições de parteiras e contadores de histórias.
ODS 20 – Governança Territorial, Justiça Ambiental e Povos das Águas e das Florestas
Consolidação da justiça socioambiental e dos direitos territoriais na Amazônia, reconhecendo as populações ribeirinhas, indígenas e quilombolas como os verdadeiros guardiões da biodiversidade e afirmando a Amazônia não como objeto de exploração, mas como sujeito ativo de saber e soberania.
A força da interiorização e o alinhamento com a CAPES
O VII DCIMA em Cametá celebra um marco político inegociável: a interiorização e a consolidação da pós-graduação stricto sensu na Amazônia. Longe de se curvar ao centralismo que historicamente ditou os rumos da produção do conhecimento no Brasil, este colóquio assume a sua natureza itinerante para afirmar que o interior da Amazônia Legal não é apenas objeto de estudo, mas sim polo produtor de ciência de altíssimo nível.
Essa proposta responde diretamente aos desafios contemporâneos pautados pela CAPES para a avaliação e o amadurecimento dos programas de pós-graduação. A agência de fomento reconhece que a fixação de doutores, a produção de conhecimento situado e o fortalecimento de polos de pesquisa no interior são passos fundamentais para corrigir as assimetrias históricas da pós-graduação no país. Realizar o evento em Cametá significa territorializar o debate, mostrando que a pós-graduação constrói redes sólidas de soberania intelectual.
A internacionalização em diálogo com a ancestralidade
Ao mesmo tempo em que finca suas raízes profundamente no território tocantino, o VII DCIMA expande seus horizontes em um potente movimento de internacionalização. Entendemos que enfrentar os “dispositivos coloniais” que ainda tentam governar nossas línguas, corpos e memórias exige uma articulação global de resistência acadêmica.
Nesta edição, a internacionalização se faz prática viva na partilha de saberes. Cruzamos fronteiras geográficas e teóricas ao conectar pesquisadores de instituições de prestígio global — como a Universidad Nacional Mayor de San Marcos (UNMSM/Peru) e a Friedrich-Schiller-Universität Jena (Alemanha) — com os intelectuais, movimentos sociais e lideranças tradicionais que constroem o cotidiano da Amazônia Legal.
Não se trata de uma internacionalização assimétrica, baseada na importação acrítica de conceitos eurocêntricos. O DCIMA propõe o inverso: levar as nossas cosmopolíticas, as nossas narrativas de beira e a nossa pedagogia da esperança para o centro do debate global, pautando o mundo a partir das nossas águas.
A centralidade da Educação Básica: da universidade ao chão da escola
Outro pilar de inserção social prioritário para o evento é a sua profunda articulação com a Educação Básica. O VII DCIMA assume como um de seus públicos-alvo prioritários os professores e professoras das redes públicas de ensino, promovendo um espaço de formação continuada onde as discussões teóricas servem como ferramentas pedagógicas emancipatórias para o cotidiano das salas de aula indígenas, quilombolas, ribeirinhas e urbanas.
Essa articulação se consolida de forma concreta em duas grandes frentes:
1. 1. Grandes Conferências, Mesas-Redondas e Lançamentos
Dia 17 de Agosto (Segunda-feira) — Abertura Oficial:
17h00: Solenidade de Abertura Institucional com dirimentes da UFPA, do Campus de Cametá, das Pós-Graduações (PPGEDUC e PPGEL) e das Faculdades de Letras.
17h30: Abertura Cultural com Lançamento do Documentário "Nossa Ancestralidade Ribeirindígena em Limoeiro do Ajuru" (Dir. Raimunda Gonzaga) e do Livro “Da margem à palavra: escritoras brasileiras do Oitocentos à atualidade” (Apres. Profa. Dra. Juliana Maia de Queiroz; Med. Profª. Drª. Ivânia dos Santos Neves).
18h45: Conferência Magna de Abertura: "Pedagogia das águas: ancestralidade e subjetividades amazônicas" — Profª. Drª. Maria Lucilena Tavares Gonzaga (UFPA); Mediação: Prof. Dr. Eraldo Souza (Coordenador do Campus de Cametá/UFPA).
Dia 18 de Agosto (Terça-feira):
11h30: Conferência Internacional da Manhã: Profª. Drª. Luisa Elvira Belaunde (UNMSM — Peru); Mediação: Geciel Ranieri (Doutorando PPGL/UFPA/GEDAI).
16h30: Mesa-Redonda 1: "Dispositivo Colonial, Corpos Dissidentes e Memórias Insurgentes: sobre esperançar" — Profª. Drª. Cristiane Helena Silva de Oliveira (Faculdade Metropolitana/SEMEC/ALAMB), Prof. Dr. Maurício Neves Corrêa (UFPA — Cametá) e Profª. Drª. Denise Gabriel Witzel (UNICENTRO — Paraná); Mediação: Profª. Drª. Maria Lucilena Tavares Gonzaga (UFPA).
Dia 19 de Agosto (Quarta-feira):
11h30: Conferência da Manhã: "Ancestralidade e Arqueologia" — Prof. Dr. Arkley Marques Bandeira (UFMA); Mediação: Profª. Drª. Conceição Belfort (UFMA).
15h00: Mesa 2: "Governo da Língua, Territórios e Práticas Pedagógicas Interculturais e Decoloniais na Amazônia" — Prof. Dr. Lucas Lopes (UFPA — Cametá) e Profª. Drª. Isabel França dos Santos (UFPA); Mediação: Profª. Drª. Mônica Cruz.
16h15: Lançamento de Documentário e do Jogo de Memória "Guariniçara: Heróis indígenas Amazônidas".
17h00: Mesa 3: "Cametá ou Murajuba: Territórios de Memórias e(m) disputas" — Prof. Dr. Salomão Laredo (Escritor e Pesquisador) e Marcilene Miranda (Doutoranda PPGL/UFPA/GEDAI); Mediação: Raquel Costa (UFPA).
Dia 20 de Agosto (Quinta-feira) — Encerramento:
11h30: Conferência da Manhã I: "Empoderamento e esperança nas águas da Amazônia" — Profª. Drª. Jorcemara Matos Cardoso (Universidade de Jena — Alemanha); Mediação: Profª. Drª. Ilza Cutrim (PPGEL/UFMA).
15h00: Mesa-Redonda 3: "Saberes e relações de poder no sul global/local" — Profª. Drª. Ivânia dos Santos Neves (PPGL/UFPA) e Profª. Drª. Andrea Domingues (PPGEDUC/UFPA — Cametá); Mediação: Prof. Dr. Jesús Pérez García (UFPA).
16h00: Conferência Magna de Encerramento: "GUARDIÕES DA COSMOLOGIA DA SERPENTE: Agência, Saberes e Religiosidades na Amazônia Marajoara" — Prof. Dr. Agenor Sarraf (UFPA — Cametá); Mediação: Profª. Drª. Luisa Elvira Belaunde (UNMSM — Peru).
2. Ações de Extensão e Formação Prática
07 Minicursos Simultâneos e Ensalados (Dias 18 e 19, das 08h30 às 10h00):
Minicurso 1: Língua Tembé-Tenetehara Ministrantes: Kuzã'í Tembé e Nonô Tembé
Minicurso 2: Arqueologia como componente integrante do patrimônio cultural Ministrante: Prof. Dr. Arkley Marques Bandeira (UFMA)
Minicurso 3: O Fato e o Direito nas conquistas das Mulheres Ministrantes: Profª. Drª. Lucilena Gonzaga e Mestranda Fernanda Monte Santo (PPGEL/UFPA)
Minicurso 4: Narrativas, corpos e sexualidades na Amazônia indígena Ministrante: Profª. Drª. Luisa Elvira Belaunde (UNMSM/Peru)
Minicurso 5: Empoderamento Linguístico: práticas discursivas para uma pedagogia da esperança na e a partir da Amazônia Ministrante: Profª. Drª. Jorcemara Cardoso (Universidade de Jena/Alemanha)
Minicurso 6: Entre a ideia e o projeto: orientações para a escrita de projetos de pesquisa na pós-graduação Ministrante: Prof. Dr. Lucas Lopes (PPGEDUC/UFPA)
Minicurso 7: Discurso e Gênero Ministrante: Profª. Drª. Denise Gabriel Witzel (UNICENTRO — Paraná) e Nelma do Socorro Santana Queiroz – doutoranda do PPGL (UNICENTRO — Paraná)
Aulão Especial preparatório para o ENEM (Dia 18 à noite): Ministrado pela Profª. Drª. Joana D’Arc Vieira (UFPA), abrindo as portas da universidade para a juventude estudantil da região tocantina.
Um convite à construção coletiva!
Que as águas do Tocantins nos guiem em dias de escuta profunda, rigor científico e esperança compartilhada!
Sejam bem-vindas e bem-vindos ao VII DCIMA e a Cametá!